
O telefone vibra. Número desconhecido, código estrangeiro. Algo no toque insistente prende sua atenção.Ao atender, uma voz feminina e precisa diz seu nome com uma familiaridade desconcertante. Então, a notícia: você ganhou uma viagem. Um cruzeiro de luxo. Tudo pago.O SS Cassiopeia será seu lar por um mês inteiro, cruzando oceanos, tocando portos distantes. Você não se lembra de ter participado de nada assim. Mas ela sabe. Ela cita o nome do sorteio, a data exata, os mínimos detalhes. Sua voz é hipnotizante, como se apenas confirmasse algo inevitável.A instrução final é simples: compareça ao escritório da Voyager International em 48 horas para retirar sua passagem. Nenhuma taxa. Nenhuma pegadinha.No dia marcado, você chega ao edifício discreto, onde vidros impecáveis refletem o mundo de forma sutilmente distorcida. Lá dentro, o silêncio é acolchoado, e a recepcionista sorri antes que você diga algo. Seu nome já está registrado. Seu prêmio está à espera.Sem demora, um envelope desliza para suas mãos. O papel é espesso, caro. Dentro, um bilhete dourado, um itinerário detalhado, imagens do SS Cassiopeia cortando um oceano calmo demais. Tudo exala exclusividade, perfeição.Mas o peso do papel entre seus dedos traz um arrepio sutil, como se aquilo não fosse apenas um convite—mas uma sentença.